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sábado, 1 de agosto de 2020

Lobo-guara: símbolo do Cerrado

(Por Arnaldo Silva) Simbolizando a cédula de 200 reais, o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), é atualmente a espécie mais valorizada no bolso dos brasileiros. Segundo acreditam os ambientalistas, são apenas 24 mil lobos-guará existentes no Brasil, que é preocupante, porque menos da metade desse número tem capacidade real de reprodução. O fato de ter na cédula de maior valor no Brasil, uma espécie ameaçada de extinção, contribuirá para a discussão sobre a preservação da espécie. O lobo-guará é nativo do Cerrado brasileiro, presente ainda no Paraguai, Argentina e Bolívia. Não é a primeira vez que o lobo-guará é símbolo em dinheiro no Brasil. Sua imagem já estampou as cédulas de 100 cruzeiros, lançada em 1993. (na foto abaixo de Conceição Luz, o lobo-guará em seu habitat natural, na Serra da Canastra em São Roque de Minas, no exato momento onde ataca sua presa)
        É o maior canídeo da América Latina, chegando a 90 cm de altura, medindo entre 95 e 120 cm de comprimento. Sua cauda tem entre 38 e 50 cm e pesa entre 20 a 30 quilos. Outra característica da espécie são suas pernas longas e finas, além de seu pelo em tom dourado e laranja, embora já tenha sido encontrado lobo-guará com o pelo totalmente preto, no Norte de Minas Gerais. A média de vida entre os lobos-guará é entre 12 e 15 anos. 
          É um animal muito bonito, com semelhança com os cachorros, atraindo a simpatia de todos, sendo um dos símbolos da luta pela preservação do Cerrado no Brasil.
          Animal de hábitos noturnos, percorre até 12 km por noite, em busca de comida. Tem o comportamento solitário, não vive em grupos e se encontra com sua fêmea no período de acasalamentos.            Curioso que a gestação da fêmea leva em média 65 dias e os filhotes nascem com a cor preta, pesando em média 350 gramas. Delimita seu território, variando de 40 a 123 km², com suas fezes e urina, habitando preferencialmente, os campos abertos de Cerrado.
  
          É uma das espécies de grande importância para o equilíbrio ambiental, por ser também onívoro, consumindo grandes quantidades de frutas nativas, eliminando suas sementes, praticamente intactas, com isso, contribuindo para a dispersão de sementes de frutos do Cerrado, como por exemplo, gramíneas, jerivá, marmelo e a mais consumida e apreciada pela espécie, a lobeira (Solanum lycocarpum) (na foto acima do Arnaldo Silva). Se comunica com sua espécie através do cheiro e latidos. 
          É uma das espécies nativas ameaçadas de extinção, devido ao desmatamento de seu habitat natural, o Cerrado, para formação de pastagens e formação de lavouras, quebrando com assim sua cadeia alimentar. Além disso, contribui para a diminuição da espécie na natureza, atropelamentos, caça e doenças originárias de cães domésticos das fazendas, quando os lobos se aproximam de fazendas ou proximidades urbanas, em busca do que foi retirado de seu habitat, a sua comida. (na foto acima, de Eliane Torino, o lobo-guará fotografado em seu habitat na Serra do Rola Moça em Brumadinho MG)
          Outra contribuição para a extinção do lobo-guará sãos superstições populares com a crença de que partes de seu corpo ajuda na cura da bronquite, doenças dos rins e até picadas de cobras, além de acreditarem que algumas partes do animais, traz sorte, como os dentes, a orelha, o coração e até as fezes secas. Isso acaba gerando uma caça desenfreada ao animal, contribuindo para a diminuição da espécie.
          Pesquisadores registraram 301 alimentos preferidos do lobo-guará, sendo 116 plantas e 178 espécies de pequenos animais silvestres, como por exemplo aves. 

          Caça perseguindo a presa, saltando e cravando unhas e dentes, num bote certeiro, inclusive a pequenas aves em voos rasteiros e ainda, em busca de tatus e outros roedores, é ágil em cavar buracos na terra, até encontrar sua presa e capturá-la. Se alimenta também de grandes animais, que encontra, por exemplo, atropelados ou abatidos por outros animais maiores.
          Uma curiosidade em relação a dieta dos lobos é que na estiagem, preferem os animais, já durante o período chuvoso, as frutas.
          Com as iniciativas de proteção ao longo dos 20 anos, vem se percebendo um lento aumento da espécie, pequena, mas ocorrendo. 

          Em Minas Gerais está presente nas reservas ambientais e matas nativas de Cerrado, que ocupa 57% do território mineiro, entre o Norte de Minas, Centro Oeste, Sudoeste de Minas, Noroeste  e Triângulo Mineiro.
          Em liberdade, em seu habitat natural, o lobo-guará pode ser visto principalmente no Parque Nacional da Serra da Canastra, no Sudoeste de Minas e em seu entorno, onde encontra-se cerca de 155 lobos-guará, a maior densidade na América Latina. O animal pode ser visto de perto no Santuário do Caraça (na foto acima do Josiano Melo), onde todas as noites, os lobos-guarás, aparecem para receber carne das mãos dos padres. São tão comuns nos jantares ao ar livre no adro do santuário, que viraram atração para os turistas que frequentam o santuário, em Catas Altas, a 110 km de Belo Horizonte.
          É um animal relativamente tranquilo, prefere fugir ao confrontar com espécies maiores, a não ser em casos onde se sinta ameaçado ou acuado, e principalmente, no caso da fêmea, se estiver com os filhotes por perto. Seu instinto protetor fala mais alto e se torna extremamente agressiva. É um animal selvagem e não de estimação. Para o bem do animal e de quem tentar se aproximar,  o contato humano deve ser evitado, para evitar acidentes graves. 

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