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quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Filtro de barro brasileiro é o mais eficiente do mundo!

(Por Arnaldo Silva) Invenção genuína brasileira, o tradicional filtro de barro é o sistema mais eficiente de purificação de água do mundo, segundo estudos feitos por cientistas norte-americanos, publicado no livro “The Drinking Water Book”, em português, “O livro da água potável”, de autoria de Colim Ingram. O livro, no original em inglês, disponível em livrarias e nas plataformas online, traz diversos estudos e pesquisas sobre a água, filtragem, engarrafamento, qualidade etc.
          Um dos assuntos deste livro é sobre a eficiência do nosso filtro de barro, presente desde o início do século passado nas casas brasileiras. Porém, não há data precisa da invenção do filtro e nem quem foi o primeiro fazer um filtro de barro com velas no Brasil. A certeza é que sua origem surgiu diante da necessidade da população em ter água potável, no final do século XIX para o início do século XX, devido a água, nessa época não ser de boa qualidade.
Os brasileiros tinham que ir com latas e potes na cabeça até minas d´água ou rios buscar água, usada para lavar vasilhas que servia lavar roupa, tomar banho, cozinhar e beber. Para chegar água até a população mais abastada das cidades, a solução da época era a construção de chafarizes com água chegando até os moradores numa rudimentar canalização, mas sem tratamento algum de impurezas, o que gerava vários problemas de saúde à população da época.
          Não existia no Brasil, na época, conhecimento algum sobre a purificação da água, fato que mudou apenas com a chegada de imigrantes ao Brasil, no final do século XIX, em especial, os italianos, que trouxeram da Europa velas que filtravam água, existente no Velho Continente, usando filtros de pedra e de metal. Embora o filtro e as velas sejam bem rudimentares, a água era melhor que a existente na época, por ser mais limpa. A questão era o material usado na fabricação, pesado e difícil de encontrar no país na época, principalmente o metal, além de estarmos num país tropical e quente, a água desse tipo de filtro não ficava muito fresca.

          A realidade só mudou quando um desses imigrantes italianos, que infelizmente a história não registrou o nome, que trabalhava no interior de São Paulo, percebeu que com a argila brasileira poderia se fazer potes e filtros com melhor qualidade, por ser um material fácil de trabalhar, resistente após a queima e por ser abundante, além de ser mais leve que o de pedra e mais fácil de fazer, que o de metal, além de permitir trabalhar de forma artística as peças. (o filtro da foto é na Fazendinha da Regina - Regina´s Farm)
          Assim começaram a fazer os moldes inspirados nos filtros europeus, em dois compartilhamentos, com a parte superior e inferior separados, por uma camada de barro e a vela, na época feita cerâmica, com carvão em seu interior, colada na parte superior da peça, fazendo a filtragem por gotejamento.
          A ideia deu muito certo, com a água saindo limpa das torneiras e bem fresca e gostosa de beber. Rapidamente se popularizou, deixando de lado a água retirada nos chafarizes restritas a lavagem de roupas e banhos.
          Hoje pouco mudou desse tempo para cá na forma de fabricação desse filtro. O que mudou foi o processo de fabricação da vela, que hoje é feita com uma camada mais densa de carvão ativado, cuja função é tirar o cloro, uma outra camada de prata coloidal, que tem a função de purificar mais ainda a água, com outra camada de argila bem porosa, garantindo assim a eficácia maior da filtragem e melhor qualidade da água, que a vela original.
          A água passa pelos poros da argila, pela camada de prata coloidal, pelo carvão e por fim gotejada, saindo por rosca fixada no centro da vela e presa à parte inferior do filtro. É gota por gota, por isso a qualidade da água é ótima, limpa, saudável, fresca e gostosa.
          Ao longo dos anos e com vários estudos, concluiu-se que as velas removem impurezas presentes na água, filtrando com eficiência o cloro, pesticidas, ferro, alumínio, além de reter 95% de chumbo e ainda, 99% do Criptosporidiose, parasita presente na água, causador de doenças.
          Vale lembrar que para a manutenção da qualidade da água, os filtros devem ser lavados sempre, mas sem o uso de produtos químicos. Use apenas a parte macia da esponja limpa, molhada com água. O mesmo faça com as velas, limpando-as com a esponja e trocando-as de 6 em 6 meses, pelo menos, porque as impurezas presentes na água ficam impregnadas em suas superfícies, mesmo lavadas, por isso é bom a troca regularmente.
          Outro fator importante para a melhor eficiência na filtragem da sua água é cuidar da caixa d´água, lavando-a regularmente, bem como cuidando bem das torneiras, mantendo-as limpas e higienizadas. 
 
          Outra questão sobre os filtros de barro é uma camada branca que aparece na parte externa do filtro. Isso é normal, faz parte da composição do material usado na fabricação do filtro, a argila. Não é mofo e nem bolor e sim um fenômeno natural chamado de eflorescência, que ocorre por ser a argila um material poroso. Esses poros presentes na argila são atravessados por partículas de água, com uma parte dessas partículas, mais próximas à superfície do filtro, evaporando em contato com o calor exterior. No caso, ocorre uma troca de calor do ambiente interno com o externo. Na evaporação de algumas partículas, uma parte dos sais mineiras presentes na água ficam impregnados na superfície do filtro, formando uma camada esbranquiçada. É esse processo de troca de calor que faz com que a temperatura da água dentro do filtro se mantenha estável, na média 5ºC, ou seja, sempre fria e fresca.
          Portanto, essa cor branca comum nos filtros, são os sais minerais das partículas de água, quanto mais partículas evaporarem e mais sais minerais, tiverem a água, maior será a camada branca. Caso queira retirá-la, use apenas esponja molhada com água pura, sem sabão ou detergente.
          Na limpeza do filtro de barro, não use nenhum produto químico, seja no exterior ou no interior, porque pode alterar o sabor da água, além de comprometer a eficiência do filtro. Para manter a água sempre fria e fresca, o ideal é manter o filtro longe de fontes de calor, como fogões e raios de sol. 

          Mesmo com a facilidade de encontrar água hoje de qualidade, o bom e velho filtro de barro continua ativo, presente nas casas por opção e gosto. Nossos artistas, melhoraram ainda mais a aparência dos filtros, transformando-se em obras de arte, como na primeira foto e nesta, onde além dos filtros, tem outros trabalhos da artesã que faz ainda potes, canecas, pratos, bonecas, xícaras, bules, baixelas, etc, em argila, cujos tons variam de acordo com a argila usada, podendo ser branco ou vermelho. Um detalhe importante é que as pinturas são feitas com o próprio pigmento da argila, não se usa tintas, apensa o barro nos detalhes floras que decoram as obras. 
São trabalhos feitos pela artesã Lilia Xavier, moradora de Turmalina MG, no Vale do Jequitinhonha. Os filtros são artesanais, feitos à mão e ainda com a beleza da arte do Vale do Jequitinhonha. O contato da artesã Lilia Xavier é 38 99852-0991 e ainda envia para todo o brasil.

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Preparando o açafrão-da-terra

O açafrão-da-terra (Cúrcuma longa) é uma planta originária da Índia e Indonésia, também chamada de cúrcuma e curcumina. A planta se adaptou bem no Brasil, sendo usada também na ornamentação, já que possui uma bela flor. Seu uso constante é na culinária, através da extração da especiaria por sua raiz, que é secada, moída e peneirada, sendo usada como condimento e corante, e também usado na medicina popular há séculos, já que possui diversas propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, contribuindo para a prevenção de doenças, além de dar cor e sabor a mais à comida, bem como ser muito nutritivo.
Da raiz da planta usado a raiz da planta, não a flor. Vale lembrar que o açafrão da terra é diferente de uma planta com nome de açafrão (Crocus sativus), feito com substâncias extraídas da flor. A espécie usada como condimento culinário para dar cor e sabor a sopas, ensopados, frango, batatas, caldos, maioneses, ovos, etc. Usado também pela indústria alimentícia como corante em mostarda, bebidas e laticínios e na medicina popular, é o açafrão-da-terra (Cúrcuma longa) e não o açafrão (Crocus sativus). É bom saber essas diferenças.
O condimento do açafrão-da-terra tem a cor amarelo bem forte, deixando os alimentos preparados também nessa cor. Antes de ser usado na cozinha, deve ser dissolvido em água ou caldo quente, antes de ser incorporado à receita.
Preparando o condimento
- Escolhas as plantas que estejam com as folhas totalmente secas;
- Retire toda a terra, lave bem, até que toda cor da terra saia e retire também os talos da raiz;
- Leve ao sol para secar o excesso de água;
- Corte as raízes em fatias bem finas ou rale na parte grossa do ralador;
- Deixe ao sol para que as fatias sequem bem;
- Quando estiverem bem secas, bata no liquidificador ou triturador;
- Pegue uma peneira bem fina e peneire.
- Com a ajuda de um funil, coloque em vidros, armazene em local seco e arejado, mantendo o vidro tampado, após o uso.
Por Arnaldo Silva com fotografias de Sila Moura

sábado, 1 de agosto de 2020

Lobo-guara: símbolo do Cerrado

(Por Arnaldo Silva) Simbolizando a cédula de 200 reais, o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), é atualmente a espécie mais valorizada no bolso dos brasileiros. Segundo acreditam os ambientalistas, são apenas 24 mil lobos-guará existentes no Brasil, que é preocupante, porque menos da metade desse número tem capacidade real de reprodução. O fato de ter na cédula de maior valor no Brasil, uma espécie ameaçada de extinção, contribuirá para a discussão sobre a preservação da espécie. O lobo-guará é nativo do Cerrado brasileiro, presente ainda no Paraguai, Argentina e Bolívia. Não é a primeira vez que o lobo-guará é símbolo em dinheiro no Brasil. Sua imagem já estampou as cédulas de 100 cruzeiros, lançada em 1993. (na foto abaixo de Conceição Luz, o lobo-guará em seu habitat natural, na Serra da Canastra em São Roque de Minas, no exato momento onde ataca sua presa)
        É o maior canídeo da América Latina, chegando a 90 cm de altura, medindo entre 95 e 120 cm de comprimento. Sua cauda tem entre 38 e 50 cm e pesa entre 20 a 30 quilos. Outra característica da espécie são suas pernas longas e finas, além de seu pelo em tom dourado e laranja, embora já tenha sido encontrado lobo-guará com o pelo totalmente preto, no Norte de Minas Gerais. A média de vida entre os lobos-guará é entre 12 e 15 anos. 
          É um animal muito bonito, com semelhança com os cachorros, atraindo a simpatia de todos, sendo um dos símbolos da luta pela preservação do Cerrado no Brasil.
          Animal de hábitos noturnos, percorre até 12 km por noite, em busca de comida. Tem o comportamento solitário, não vive em grupos e se encontra com sua fêmea no período de acasalamentos.            Curioso que a gestação da fêmea leva em média 65 dias e os filhotes nascem com a cor preta, pesando em média 350 gramas. Delimita seu território, variando de 40 a 123 km², com suas fezes e urina, habitando preferencialmente, os campos abertos de Cerrado.
  
          É uma das espécies de grande importância para o equilíbrio ambiental, por ser também onívoro, consumindo grandes quantidades de frutas nativas, eliminando suas sementes, praticamente intactas, com isso, contribuindo para a dispersão de sementes de frutos do Cerrado, como por exemplo, gramíneas, jerivá, marmelo e a mais consumida e apreciada pela espécie, a lobeira (Solanum lycocarpum) (na foto acima do Arnaldo Silva). Se comunica com sua espécie através do cheiro e latidos. 
          É uma das espécies nativas ameaçadas de extinção, devido ao desmatamento de seu habitat natural, o Cerrado, para formação de pastagens e formação de lavouras, quebrando com assim sua cadeia alimentar. Além disso, contribui para a diminuição da espécie na natureza, atropelamentos, caça e doenças originárias de cães domésticos das fazendas, quando os lobos se aproximam de fazendas ou proximidades urbanas, em busca do que foi retirado de seu habitat, a sua comida. (na foto acima, de Eliane Torino, o lobo-guará fotografado em seu habitat na Serra do Rola Moça em Brumadinho MG)
          Outra contribuição para a extinção do lobo-guará sãos superstições populares com a crença de que partes de seu corpo ajuda na cura da bronquite, doenças dos rins e até picadas de cobras, além de acreditarem que algumas partes do animais, traz sorte, como os dentes, a orelha, o coração e até as fezes secas. Isso acaba gerando uma caça desenfreada ao animal, contribuindo para a diminuição da espécie.
          Pesquisadores registraram 301 alimentos preferidos do lobo-guará, sendo 116 plantas e 178 espécies de pequenos animais silvestres, como por exemplo aves. 

          Caça perseguindo a presa, saltando e cravando unhas e dentes, num bote certeiro, inclusive a pequenas aves em voos rasteiros e ainda, em busca de tatus e outros roedores, é ágil em cavar buracos na terra, até encontrar sua presa e capturá-la. Se alimenta também de grandes animais, que encontra, por exemplo, atropelados ou abatidos por outros animais maiores.
          Uma curiosidade em relação a dieta dos lobos é que na estiagem, preferem os animais, já durante o período chuvoso, as frutas.
          Com as iniciativas de proteção ao longo dos 20 anos, vem se percebendo um lento aumento da espécie, pequena, mas ocorrendo. 

          Em Minas Gerais está presente nas reservas ambientais e matas nativas de Cerrado, que ocupa 57% do território mineiro, entre o Norte de Minas, Centro Oeste, Sudoeste de Minas, Noroeste  e Triângulo Mineiro.
          Em liberdade, em seu habitat natural, o lobo-guará pode ser visto principalmente no Parque Nacional da Serra da Canastra, no Sudoeste de Minas e em seu entorno, onde encontra-se cerca de 155 lobos-guará, a maior densidade na América Latina. O animal pode ser visto de perto no Santuário do Caraça (na foto acima do Josiano Melo), onde todas as noites, os lobos-guarás, aparecem para receber carne das mãos dos padres. São tão comuns nos jantares ao ar livre no adro do santuário, que viraram atração para os turistas que frequentam o santuário, em Catas Altas, a 110 km de Belo Horizonte.
          É um animal relativamente tranquilo, prefere fugir ao confrontar com espécies maiores, a não ser em casos onde se sinta ameaçado ou acuado, e principalmente, no caso da fêmea, se estiver com os filhotes por perto. Seu instinto protetor fala mais alto e se torna extremamente agressiva. É um animal selvagem e não de estimação. Para o bem do animal e de quem tentar se aproximar,  o contato humano deve ser evitado, para evitar acidentes graves. 

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